O "show" individual de Marco van Basten

Stadio Giuseppe Meazza, Milão – 25-11-1992 – Fase de grupos
Milan
Milan
Van Basten 33, 53 (P), 61, 62
4 - 0
Göteborg
Göteborg
Toque de génio



"Avaliava o Van Basten esta noite com 9,5, mas apenas porque penso que a perfeição não existe." Fabio Capello

1992/93

• O ponta-de-lança francês Frank Sauzée terminou a edição inaugural da UEFA Champions League como melhor marcador da prova, em grande parte graças ao "hat-trick" apontado na vitória por 6-0 do Olympique de Marseille sobre o PFC CSKA Moskva, na fase de grupos.

• O Marselha tornou-se no primeiro clube francês a sagrar-se campeão europeu de clubes, ao bater o AC Milan por 1-0 na final, em Munique, no Olympiastadion, com o defesa Basile Boli a apontar, de cabeça, pouco antes do intervalo, o único golo do encontro.

• O Rangers FC acabou a fase de grupos invicto, mas viu-se superado pelo Marselha na corrida da um lugar na final devido a um empate sem golos dos campeões escoceses frente ao CSKA de Moscovo, na derradeira jornada do grupo.

 

Todos os bons livros têm uma frase memorável no seu início e Marco van Basten fez questão de conferir também à edição inaugural da fase de grupos da UEFA Champions League um arranque inesquecível. O IFK Göteborg, campeão sueco em título, conseguiu resistir durante a primeira meia hora, mas Van Basten conseguir inaugurar o marcador com o seu pé esquerdo, dando assim o mote para uma notável exibição individual.

Uma persistente lesão no tornozelo acabaria por ditar que esta seria a derradeira temporada do ponta-de-lança internacional holandês e, um mês após completar 28 anos, deixou um impressionante cartão-de-visita. Van Basten foi o homem-chave que recompensou a aposta ofensiva do treinador Fabio Capello, que iniciou o encontro com o avançado Daniele Massaro a actuar a lateral-esquerdo, no lugar do lesionado Paolo Maldini – embora, nos minutos iniciais, a estratégia do técnico italiano se tenha revelado arriscada, com Peter Eriksson a ficar, por duas ocasiões, perto do golo.

Mas, com Gianluigi Lentini e Stefano Eranio muito activos nos flancos, os "rossoneri" tomaram conta do encontro e quase ganharam vantagem quando Jean-Pierre Papin, de longe, acertou na trave. Três minutos depois, o atacante francês fez uma assistência perfeita para Van Basten, que assim abriu o activo e, a partir daí, o encontro só deu Milan...e Van Basten.

O espectacular "camisola 9" da turma milanesa ampliou a vantagem da sua equipa da marca de penalty, pouco depois do arranque do segundo tempo, antes de apontar o seu terceiro golo na partida, com um fantástico pontapé de bicicleta ao ângulo inferior esquerdo da baliza contrária. E apenas um minuto depois o avançado holandês voltou a marcar, fazendo o 4-0 depois de entrar na área do Gotemburgo, ultrapassar o guarda-redes Thomas Ravelli com o pé direito e enviar a bola para o fundo das redes com o pé esquerdo.

Ravelli protestava com os colegas da sua defesa enquanto via a bola entrar novamente para dentro da baliza, mas por vezes, simplesmente, não há nada a fazer. O próprio Capello, habitualmente pouco dado a elogios, reconheceu a tremenda exibição do seu ponta-de-lança. "Classificaria a prestação de Van Basten com um 9,5 esta noite", referiu, "mas apenas porque penso que a perfeição não existe."

Estrelas

  • Ravelli

    O guarda-redes Ravelli somou 143 internacionalizações entre 1981 e 1997, tendo atingido o ponto mais alto da carreira no Campeonato do Mundo de 1994, ao defender vários penalties, ajudando a sua selecção a chegar às meias-finais. Filho de um emigrante austríaco, foi uma referência no Östers IF e depois no IFK Göteborg, tendo vencido nove títulos na Suécia ao longo de três décadas.

  • Baresi

    Uma das razões do sucesso do AC Milan nos anos de 1980 e 1990 esteve ligada a Franco Baresi, conhecido como "El Picinin" (o pequenino), e à sua forte presença em campo. A maior parte das vezes utilizado como líbero, venceu seis campeonatos da Serie A e três Taças dos Clubes Campeões Europeus. Contudo, a história poderia ter sido bem diferente, já que o FC Internazionale Milano não quis Baresi antes de o atleta rumar ao Milan.

  • Van Basten

    Van Basten estava destinado a grandes feitos quando se estreou pelo AFC Ajax, como substituto de Johan Cruyff. Então com 17 anos, apontou um golo na estreia, o primeiro de 128 em 133 jogos do campeonato, antes de se mudar para o AC Milan em 1987. Após um brilhante Campeonato da Europa no ano seguinte, Van Basten recebeu a primeira de três Bolas de Ouro, se bem que poderia ter conquistado mais, não fosse uma arreliadora lesão num tornozelo, que o forçou a arrumar as botas com 30 anos.

O que aconteceu depois?

• O AC Milan venceu todos os seis encontros da fase de grupos, garantindo o apuramento para a final, onde foi surpreendentemente derrotado pelo Olympique de Marseille, por 1-0, com Basile Boli a apontar, pouco antes do intervalo, o único golo da partida, disputada no Olympiastadion, em Munique.

• A turma de Milão reagiu e conquistou a UEFA Champions League no ano seguinte, com outra vitória por 4-0, desta feira sobre o FC Barcelona, com Daniele Massaro em destaque ao marcar por duas vezes, na final disputada em Atenas, no Estádio OACA Spiros Louis.

• A final de 1993 acabou por ser o último jogo de Marco van Basten, numa altura em que tinha acabado de ser eleito Jogador do Ano pela FIFA e de conquistar a Bola de Ouro pela terceira ocasião. Nessa sua última temporada apontou 20 golos em 22 jogos.

• O IFK Göteborg não acusou a goleada sofrida em Milão e acabou por terminar no segundo lugar do grupo, à frente de PSV Eindhoven e FC Porto, afirmando-se depois como presença regular na UEFA Champions League, ao dominar por completo a Liga sueca nos anos que se seguiram.

• Apenas sete anos mais tarde outro jogador, Simone Inzaghi, conseguir apontar quatro golos num jogo da UEFA Champions League, no triunfo por 5-1 da S.S. Lazio sobre o Marselha, em Março de 2000.

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